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Empreiteiros com Processos e Insolvências em Portugal - Como Verificar

7 min de leitura
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Em 2024, foram registadas 2.080 insolvências no setor da construção em Portugal, um aumento de 8,2% face ao ano anterior. São mais de 5 empresas por dia a colapsar. Somando a isto que, segundo a IGAMAOT, 94% dos projetos de construção têm alguma forma de irregularidade, o quadro que se desenha é preocupante para qualquer pessoa que esteja a pensar contratar uma obra.

A boa notícia é que muitos dos sinais de alerta estão disponíveis em registos públicos. A má notícia é que quase ninguém os consulta antes de contratar. Este guia explica como verificar se o seu empreiteiro tem processos judiciais ou insolvências, e como interpretar o que encontrar.

Cada caso é cada caso, consulte sempre um advogado para a sua situação específica.

Como funciona o CITIUS

O CITIUS é o sistema de informação dos tribunais portugueses e a principal ferramenta pública para verificar processos judiciais. Na secção de consulta pública, pode pesquisar por NIF ou por nome de empresa e ver todos os processos em que essa entidade está envolvida.

O que pode encontrar:

  • Processos de insolvência (CIRE) - quando a empresa foi declarada incapaz de pagar as suas dívidas
  • Processos Especiais de Revitalização (PER) - quando a empresa está a tentar reestruturar-se antes de chegar à insolvência
  • Ações cíveis - processos movidos contra ou pela empresa (incumprimentos contratuais, dívidas, defeitos de obra, etc.)
  • Providências cautelares - medidas de urgência pedidas ao tribunal

A pesquisa é gratuita, mas a interface não é propriamente intuitiva. Os resultados podem ser difíceis de interpretar para quem não está familiarizado com terminologia jurídica.

O que significa cada tipo de processo

Insolvência (processo CIRE)

A insolvência é o processo mais grave. Significa que a empresa não consegue pagar as suas dívidas e o tribunal declarou formalmente essa incapacidade. Na maioria dos casos, a consequência é a liquidação: os ativos da empresa são vendidos e o dinheiro é distribuído pelos credores segundo uma hierarquia legal.

Uma insolvência ativa é o maior red flag que pode encontrar. Uma empresa em insolvência não pode legalmente aceitar novos trabalhos. Se está a considerar contratar uma empresa que está em insolvência ativa, não o faça em circunstância nenhuma.

Insolvências históricas (já encerradas) são menos graves, mas ainda relevantes. Indicam que a empresa passou por dificuldades financeiras no passado.

PER (Processo Especial de Revitalização)

O PER é uma tentativa de evitar a insolvência. A empresa reconhece que tem dificuldades mas apresenta um plano para reestruturar as suas dívidas e continuar a operar. Se os credores aprovarem o plano e o tribunal o homologar, a empresa continua a funcionar.

Um PER ativo é um sinal de alerta significativo. Não é tão grave como uma insolvência declarada, mas indica claramente que a empresa tem problemas financeiros sérios. Contrate com extrema cautela, e se tiver alternativas, considere-as seriamente.

Ações cíveis

As ações cíveis são processos movidos por ou contra a empresa. Podem ser de natureza muito diversa: incumprimento contratual, reclamação de dívidas, defeitos de construção, disputas laborais.

Um ou dois processos cíveis não são necessariamente preocupantes, qualquer empresa com alguma dimensão pode ter processos. O que deve alertar é um padrão: múltiplos processos num curto espaço de tempo, todos da mesma natureza (por exemplo, vários clientes a processar por incumprimento), indica um padrão sistemático de problemas.

Credor vs. devedor: a distinção crucial

Ao analisar processos judiciais, é fundamental distinguir o papel da empresa no processo:

  • A empresa como credora - aparece no processo porque alguém lhe deve dinheiro. Isto é neutro ou até positivo: a empresa está a defender os seus créditos.
  • A empresa como devedora/ré - aparece porque deve dinheiro a alguém ou porque alguém a está a processar. Isto é o que deve preocupar.

No CITIUS, esta distinção nem sempre é imediatamente óbvia. Mas é crucial: uma empresa que aparece em 10 insolvências como credora (é-lhe devido dinheiro por outras empresas insolventes) está numa situação completamente diferente de uma empresa que aparece em 10 processos como devedora.

O carrossel de empresas: o padrão mais perigoso

Se há um padrão que deve conhecer, é este. Funciona assim:

  • O empreiteiro abre a Empresa A
  • A Empresa A acumula dívidas, reclamações, processos
  • A Empresa A declara insolvência ou é simplesmente abandonada
  • O empreiteiro abre a Empresa B, com um nome diferente mas o mesmo modelo de negócio
  • O ciclo repete-se

Isto é legal, na medida em que qualquer pessoa pode abrir uma nova empresa. Mas é um red flag enorme. O sistema deteta este padrão porque, ao verificar os administradores de uma empresa, cruza automaticamente os seus nomes com outras empresas e processos judiciais. Um administrador com 3 empresas insolventes no currículo é um risco que nenhuma justificação consegue disfarçar.

É por isto que verificar só a empresa não é suficiente. É preciso verificar quem está por trás dela.

Empresas novas com zero registos: seguras?

Uma empresa recém-criada sem qualquer processo judicial pode parecer limpa. Mas a ausência de registos não é necessariamente um sinal positivo. Pode simplesmente significar que:

  • A empresa é tão nova que ainda não teve tempo de acumular processos
  • É uma empresa-fachada criada após o colapso de outra (o carrossel descrito acima)
  • Opera com um volume tão pequeno que ainda não gerou conflitos judiciais

Para empresas muito recentes (menos de 2 anos), é essencial verificar os administradores. Se o administrador de uma empresa fundada há 6 meses tem 15 anos de experiência na construção, onde é que esteve antes? Que empresas geriu? O que aconteceu com elas?

A sequência típica antes do colapso

As empresas de construção raramente colapsam de um dia para o outro. Há uma sequência típica de sinais que se manifestam gradualmente:

  • Fase 1: Dívidas à Segurança Social - quando o dinheiro começa a faltar, as contribuições sociais são normalmente as primeiras a ficar por pagar
  • Fase 2: Dívidas às Finanças - o IVA e o IRC deixam de ser pagos. A empresa aparece nas listas de devedores
  • Fase 3: Processos judiciais - fornecedores e clientes começam a processar por incumprimento
  • Fase 4: Insolvência - quando já não é possível manter a ilusão, a empresa é declarada insolvente
  • Fase 5: Prazo de 30 dias do CIRE - os credores têm um prazo limitado para reclamar créditos

O ponto crucial é este: se apanhar uma empresa na Fase 1 ou 2, ainda pode decidir não contratar e evitar o problema completamente. Se só descobre na Fase 4, já é tarde demais.

Porque verificar cedo faz toda a diferença

A diferença entre verificar antes e verificar depois é a diferença entre evitar o problema e tentar recuperar dinheiro que provavelmente não volta. As estatísticas são claras: nos processos de insolvência, os credores comuns recuperam em média uma fração mínima dos seus créditos. Em muitos casos, a recuperação é zero.

Uma verificação que demora minutos pode poupar-lhe meses de processos judiciais e milhares de euros em perdas. Não é garantia absoluta, nenhum sistema é, mas é uma camada de proteção fundamental que a maioria das pessoas simplesmente não usa.

Verificação automática com o ObraXRAY

O ObraXRAY cruza automaticamente dados do CITIUS, IMPIC, registo comercial, listas de devedores e histórico de administradores para gerar um relatório completo sobre qualquer construtora em Portugal. A pesquisa demora minutos e entrega uma pontuação de risco clara, com todos os processos judiciais identificados e classificados.

Em vez de tentar navegar pelo CITIUS e interpretar terminologia jurídica, recebe tudo já processado e organizado. Sem conhecimentos técnicos, sem complicações.

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