A CMTV emitiu em Maio de 2026 uma reportagem do Grande Jornal Investigação sobre a Dilomi - Sustainable Houses, Lda, empresa de casas modulares sediada em Vila Real. Vários clientes contaram à reportagem que assinaram contratos, pagaram tranches significativas, e ao fim de quase dois anos continuam sem casa e sem reaver o dinheiro.
Como ferramenta portuguesa que cruza registos públicos sobre construtoras, fomos verificar o que estava acessível em fontes oficiais desde Junho de 2024, quando os primeiros contratos foram assinados. Este artigo é a cronologia da Dilomi e da empresa anterior do mesmo gerente, a ML VIRTUAL Unipessoal Lda, com cada facto ancorado em registo público.
O caso Dilomi na reportagem da CMTV (Maio 2026)
Os valores citados na reportagem são pesados. Uma cliente de 67 anos, natural de Valnogueiras, pagou cerca de 48 mil euros para uma casa de 97 mil. Outra cliente pagou 52 mil para uma casa de 122 mil. Um casal jovem pagou 25 mil para iniciar a construção de uma casa de 170 mil. Em todos os casos, a obra não avançou, as desculpas mudavam (problemas com funcionários, baixas médicas, espera por documentos), e o gerente acabou por deixar de atender chamadas.
Aos clientes juntam-se ex-funcionários que relatam falta de pagamento de salários e contratos nunca regularizados, com processos a correr no Tribunal do Trabalho. A reportagem inclui ainda o testemunho de uma ex-colaboradora de uma empresa anterior do mesmo gerente, a ML VIRTUAL Unipessoal Lda, que segundo a entrevistada "deu insolvência".
A resposta oficial da Dilomi à CMTV, transmitida via mensagem após a empresa recusar entrevista presencial, foi a seguinte: "a empresa encontra-se a laborar, tendo neste momento 16 obras em execução a decorrer. Confirmamos que existem 5 clientes que optaram por rescindir os seus contratos unilateralmente."
Estava visível em 2024? A pergunta central
Segundo a reportagem da CMTV, os primeiros contactos de clientes com a Dilomi terão ocorrido no Verão de 2024, com pagamentos a serem feitos a partir desse período. Quase dois anos depois, com a reportagem fora, a pergunta natural é: estava visível?
Para responder, fomos aos mesmos registos públicos que estavam disponíveis em 2024. CITIUS, Plataforma de Publicações do Ministério da Justiça, listas de execuções públicas, distribuição de tribunais cíveis. Tudo gratuito, tudo acessível, mas espalhado por quatro sistemas diferentes que, na prática, quase ninguém cruza antes de assinar um contrato com uma construtora.
A resposta: estava visível nos registos públicos informação suficiente para justificar cautela acrescida antes dos pagamentos. Não estamos a dizer que o resultado era inevitável. Estamos a dizer que a informação existia, em fontes oficiais, e teria mudado a conversa que aconteceu no escritório se alguém a tivesse cruzado a tempo.
Uma empresa pode ter alvará válido e não aparecer nas listas de devedores das Finanças, e mesmo assim ter sinais públicos que justificam cautela extrema. É por isso que verificar uma só fonte não chega para verificar uma construtora.
Caso Dilomi: cronologia em três blocos
Para o leitor perceber o que era visível em cada momento de decisão, separamos os factos por janela temporal.
Bloco 1 - Estava visível em Junho de 2024 (antes dos primeiros pagamentos)
| Data | Evento | Fonte pública |
|---|---|---|
| 06/10/2014 | Insolvência pessoal de Carlos Manuel Lopes Marques | CITIUS |
| 15/07/2020 | Constituição da ML VIRTUAL, UNIPESSOAL LDA, gerida por Carlos Manuel Lopes Marques | Publicações MJ |
| 02/09/2022 | Última prestação de contas conhecida da ML VIRTUAL (referente a 2021) | Publicações MJ |
| 11/06/2024 | Execução pública contra a ML VIRTUAL no Juízo de Execução de Vila Nova de Famalicão. Valor: 2.988 € | Portal da Justiça |
| 17/06/2024 | Constituição da DILOMI - SUSTAINABLE HOUSES, LDA. Seis dias depois da execução contra a empresa anterior. Mesma morada física (Rua Costa, Armazém nº 4, Vila Real) | Publicações MJ |
Bloco 2 - Surgiu durante a obra (Outubro 2024 a Outubro 2025)
Esta janela é importante porque mostra o que ia ficando visível enquanto os clientes ainda eram chamados a pagar novas tranches.
| Data | Evento | Fonte pública |
|---|---|---|
| 31/10/2024 | Execução por "inexistência de bens" contra a ML VIRTUAL no Juízo de Execução do Entroncamento | Portal da Justiça |
| 04/11/2024 | Execução por "inexistência de bens" contra a ML VIRTUAL no Juízo de Execução de Lisboa | Portal da Justiça |
| 25/11/2024 | Execução por "inexistência de bens" contra a ML VIRTUAL no Juízo de Execução da Maia. Valor: 47.200 € | Portal da Justiça |
| 22/10/2025 | Sai a licença camarária de uma das clientes da Dilomi. Apesar de entregue na empresa, a obra nunca avança | CMTV |
Bloco 3 - Aparece hoje (2026)
| Data | Evento | Fonte pública |
|---|---|---|
| Jan a Abr 2026 | Oito processos cíveis distribuídos contra a Dilomi: seis execuções de credores e duas acções no Juízo do Trabalho de Vila Real. Cobertura dos dados desde Out 2025 (podem existir mais processos anteriores) | Tribunais cíveis |
| Maio 2026 | Reportagem CMTV Grande Jornal Investigação | CMTV |
| Hoje | ML VIRTUAL: insolvência declarada activa. Dilomi: vários processos em curso, score 0/100 no ObraXRAY | Registos públicos |
Os cinco sinais públicos sobre a Dilomi visíveis em Junho de 2024
A Dilomi foi constituída a 17 de Junho de 2024. Os primeiros clientes terão assinado contratos no período subsequente, de acordo com os relatos da reportagem da CMTV. Cinco sinais nos registos públicos, à data em que essas decisões estariam a ser tomadas:
1. Insolvência pessoal histórica do gerente da Dilomi
Carlos Manuel Lopes Marques, gerente e sócio maioritário da Dilomi, aparece associado, nos registos do CITIUS, a um processo de insolvência pessoal datado de Outubro de 2014, identificável publicamente há mais de dez anos. Uma insolvência antiga não significa, por si só, risco actual. Mas em combinação com tudo o que vem a seguir, é o primeiro contexto que muda a interpretação dos sinais seguintes.
2. Dilomi recém-criada, sem histórico público no setor da construção
A Dilomi tinha pouco tempo de existência quando, segundo a reportagem da CMTV, os primeiros clientes começaram a pagar tranches. Sem balanço apresentado, sem prestação de contas, e sem registo público de obras concluídas em nome da empresa que permitisse avaliar a sua capacidade.
E há um detalhe que costuma escapar mesmo a quem procura: nos registos públicos que cruzámos, não encontrámos histórico anterior do gerente no setor da construção. A empresa anterior (ML VIRTUAL) tem CAE 62090 - "Outras actividades relacionadas com as tecnologias da informação", compatível com a actividade de comércio electrónico descrita na reportagem da CMTV (a "Mercado Livre Virtual"). A Dilomi, com CAE 43992, parece ser a primeira empresa de construção que conseguimos associar ao gerente nestes registos. Se existiu outra actividade no setor da construção fora dos registos públicos consultados, não temos forma de a verificar.
Em construção civil, uma empresa recente não é, por si só, motivo para virar costas. É motivo para exigir muito mais (referências de obras anteriores em nome dos administradores, garantias bancárias, pagamentos por fases verificadas, escrow) antes de libertar dinheiro.
Importa também sublinhar que, sendo uma empresa recém-criada, nessa fase ainda não havia contas depositadas nem histórico financeiro público que permitisse avaliar activos, capitais próprios ou capacidade operacional. Esse é o ponto relevante, não o valor nominal do capital social.
3. Execução pública contra a empresa anterior do gerente, seis dias antes
A 11 de Junho de 2024, foi distribuída uma execução pública contra a ML VIRTUAL Unipessoal Lda, empresa de que Carlos Manuel Lopes Marques é o único sócio, no Juízo de Execução de Vila Nova de Famalicão.
Seis dias depois, a 17 de Junho, a Dilomi é constituída. À mesma morada física da ML VIRTUAL (Rua Costa, Armazém nº 4, Vila Real).
Este é o sinal mais forte do conjunto. Mudar de razão social, abrir uma nova empresa com capital limpo, e continuar a operar da mesma morada com o mesmo gerente, é compatível com um padrão conhecido como empresa fénix: uma nova sociedade criada depois de problemas numa empresa anterior, com continuidade de pessoas, morada ou actividade. A informação de que dois NIFs partilham a mesma morada e o mesmo gerente é pública. Cruzar essa informação com o estado da empresa anterior é o que normalmente não se faz.
4. Sinais de paragem de actividade contabilística na ML VIRTUAL
A ML VIRTUAL submeteu prestação de contas pela última vez a 2 de Setembro de 2022, referente ao exercício de 2021.
Em Junho de 2024, o exercício de 2022 já estava em incumprimento de prazo (o prazo legal de depósito é 15 de Julho do ano seguinte, neste caso 15/07/2023, já decorrido). O exercício de 2023 tinha prazo a terminar nesse mesmo verão, sem qualquer indicação pública de submissão.
Empresas que param de prestar contas estão normalmente em fim de actividade, em zona cinzenta, ou em vias de cessação. Quando uma empresa pára de prestar contas e o gerente abre uma nova empresa na mesma morada, é razoável fazer perguntas que vão além daquelas que se fazem num primeiro contacto.
5. Mesma morada física: Dilomi e ML VIRTUAL no mesmo armazém
A ML VIRTUAL alterou em Fevereiro de 2022 a sua morada para "Rua do Costa, Armazém n.º 4, Vila Real". A Dilomi foi constituída em Junho de 2024 em "Rua Costa, Armazém nº 4, Vila Real". É literalmente o mesmo armazém.
Por si só, não é problema (uma família pode operar várias empresas a partir da mesma sede). Combinado com os outros sinais, é compatível com um padrão de continuação de actividade sob nova firma.
Os registos posteriores reforçaram os sinais iniciais
A leitura destes cinco sinais não era especulação. Os meses seguintes alinharam, um a um, com o que cada um apontava.
A ML VIRTUAL acumulou mais três execuções públicas em Outubro e Novembro de 2024 (Entroncamento, Lisboa, Maia), com o tribunal a registar "inexistência de bens" em todas elas, num total aproximado de 49 mil euros em dívida activa, que se somam aos 2.988 € da execução de Junho. Foi entretanto declarada insolvente nos registos públicos.
A Dilomi, ao longo de 2026, viu serem distribuídos oito processos cíveis contra si: seis execuções de credores e duas acções no Juízo do Trabalho de Vila Real (funcionários a processar a empresa por salários em falta, em linha com o que os ex-colaboradores descrevem à CMTV). Os valores em causa nestes oito processos somam mais de 21 mil euros, sem contar com os contratos não cumpridos com clientes finais.
Nota importante sobre cobertura: os dados de distribuição de processos cíveis a que cruzamos só estão disponíveis a partir de Outubro de 2025. Processos cíveis anteriores a essa data não são abrangidos por esta análise. A nossa cobertura não permite excluir processos distribuídos no período entre Junho de 2024 e Outubro de 2025. Os oito processos visíveis representam, na prática, apenas a janela mais recente.
Outras empresas conhecidas do mesmo gerente
Esta secção foi adicionada ao artigo após a publicação inicial, com base no registo oficial da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) e na nossa base de cruzamentos director-empresas.
Carlos Manuel Lopes Marques é também gerente de uma terceira empresa: IMODILOMI, LDA (NIF 518753042), constituída a 22 de Maio de 2025. A IMODILOMI é a entidade proprietária do canal de televisão VilaTV, segundo o registo público da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
No registo nº 128169 da ERC (consulta pública directa ao registo), a VilaTV consta como serviço de programas online, regional, com inscrição definitiva a 22 de Agosto de 2025. A "Denominação Social do Proprietário" indicada é Imodilomi, Lda., com Carlos Manuel Lopes Marques como Editor e como Diretor do canal. A morada da sede de redação registada na ERC é Rua do Costa, nº 5, 5000-105 Vila Real.
Esta morada é a mesma rua das outras duas empresas do mesmo gerente. Dilomi e ML VIRTUAL operam (ou operaram) em "Rua Costa, Armazém nº 4, Vila Real". A sede de redação da VilaTV, conforme registo ERC, fica em "Rua do Costa, nº 5", na mesma rua. Não é informação que tenha sido cruzada antes nas reportagens publicadas sobre o caso, mas é pública e directamente consultável no portal da ERC.
A IMODILOMI tem hoje, no ObraXRAY, score 71/100 (compatível com "Activa - Com registos"). A análise não revela, à data, sinais comparáveis aos da ML VIRTUAL (insolvência declarada) ou da Dilomi (oito processos cíveis distribuídos em 2026). Incluímos esta terceira empresa para completar o quadro: o cruzamento director-empresas do mesmo gerente devolve hoje três entidades distintas (ML VIRTUAL, Dilomi e IMODILOMI), todas com presença pública em Vila Real e ligações de morada na mesma rua.
Porque quase ninguém cruza estes registos a tempo
Tudo o que está em cima é informação pública. CITIUS, Publicações do Ministério da Justiça, Portal da Justiça e listas de tribunais cíveis estão abertos ao cidadão. Em teoria, qualquer pessoa pode consultar.
Na prática, quase ninguém o faz. E há razões.
São quatro sistemas diferentes, com interfaces antigas e sem cruzamento entre eles. E há um detalhe que torna isto particularmente difícil para o cidadão comum: nenhuma destas fontes públicas permite pesquisa por nome ou NIF do gerente. Toda a indexação é por NIPC da empresa. Para descobrir que o administrador de uma empresa actual já dirigiu outras empresas em incumprimento, é preciso saber o nome, fazer pesquisas separadas em motores de busca e redes sociais, e ainda assim cruzar manualmente cada empresa em Publicações MJ. É preciso também saber que "execução por inexistência de bens" significa que o tribunal não encontrou património para cobrir a dívida, e ler publicações de constituição para detectar que duas firmas distintas partilham a mesma morada física.
E sobretudo, é preciso ter o instinto de fazer estas pesquisas antes de pagar sinal. Em Portugal, na prática, não existe ainda o hábito de o fazer. Quem está a comprar uma casa pela primeira vez confia no aspecto profissional do escritório, no contrato em papel timbrado, na conversa do gerente. Não pensa em ir ao CITIUS verificar se o gerente tem insolvência pessoal histórica, nem em cruzar a morada da empresa nova com a morada da empresa anterior.
Foi exactamente esta lacuna que o ObraXRAY veio fechar em 2026. Reunimos mais de 20 verificações cruzando 9 bases de dados oficiais num único relatório, com um score de risco de 0 a 100, em poucos segundos. Análise cruzada por tecnologia própria, sobre fontes oficiais públicas.
Se hoje qualquer pessoa pesquisar pela Dilomi no ObraXRAY, vê 0 em 100, veredicto "Não Avançar". Não porque alguém em Vila Real escreveu um aviso. Porque a análise cruzada dos registos públicos retorna esse resultado.
O ObraXRAY não existia em 2024. A informação que aqui sintetizamos, sim. O que faltava era alguém que a cruzasse num clique, em vez de exigir que cada cidadão fizesse o trabalho de um investigador.
Como verificar uma construtora antes de contratar: 3 passos
Se está a considerar contratar uma construtora, antes de assinar contrato ou pagar sinal:
- Procure a empresa nos registos públicos. O NIF é o ponto de partida. CITIUS, IMPIC, Publicações do MJ. Não basta verificar se há alvará válido. Veja também execuções públicas, prestação de contas e processos cíveis em curso.
- Procure também o histórico do gerente, sabendo que é difícil. Esta é a parte que praticamente ninguém faz, porque as fontes públicas não permitem pesquisa por nome ou NIF do gerente, todas indexam pelo NIPC da empresa. Para cruzar manualmente, é preciso anotar os nomes dos administradores na publicação de constituição, fazer pesquisas em motores de busca e redes sociais, e ir verificando, empresa a empresa, qualquer outra firma associada. Cruze também a morada, porque empresas anteriores na mesma sede física costumam apontar para continuidade de actividade.
- Verifique a relação entre a idade da empresa e o valor que está prestes a pagar. Pagar dezenas de milhares de euros de sinal a uma construtora com menos de um ano de existência e sem histórico público de obras concluídas é sempre um risco. Há excepções legítimas, mas exigem garantias adicionais (escrow, garantias bancárias, pagamentos por fases verificadas com presença de arquitecto independente).
Se preferir não fazer este trabalho de pesquisa manualmente, o ObraXRAY entrega-o num único relatório.
Perguntas frequentes sobre o caso Dilomi
Qual é o NIF da Dilomi?
A Dilomi - Sustainable Houses, Lda tem o NIF 518084795. Foi constituída a 17 de Junho de 2024 e está sediada na Rua Costa, Armazém nº 4, em Vila Real.
A Dilomi tem alvará IMPIC válido?
À data deste artigo, sim. A Dilomi consta com o alvará IMPIC nº 112958 - PAR, Classe 2 (até 400.000 € por obra), inscrito a 22 de Agosto de 2024, dois meses após a constituição da empresa. Recomenda-se confirmar o estado actual directamente no IMPIC antes de qualquer decisão, dado que os alvarás podem ser suspensos ou revogados. Ter alvará válido não é, em qualquer caso, incompatível com os outros sinais públicos descritos neste artigo, e mostra precisamente porque verificar apenas o alvará não é suficiente para avaliar risco de uma construtora.
O que é a ML VIRTUAL, UNIPESSOAL LDA e qual é a sua ligação à Dilomi?
A ML VIRTUAL Unipessoal Lda (NIF 516080482) é a empresa anterior do mesmo gerente da Dilomi, Carlos Manuel Lopes Marques. Foi constituída em 2020 e opera (operou) na mesma morada física que a Dilomi (Rua Costa, Armazém nº 4, Vila Real). Tem hoje processo de insolvência declarado e acumulou quatro execuções públicas em 2024, três delas por "inexistência de bens".
Quantos clientes dizem estar lesados pela Dilomi?
Segundo a reportagem da CMTV de Maio de 2026, vários clientes assinaram contratos com a Dilomi e pagaram tranches significativas sem que as obras avançassem. A resposta oficial da empresa à CMTV confirma "5 clientes que optaram por rescindir contratos unilateralmente". O número total real de pessoas que se considera afectada pode ser superior, dado que ex-funcionários da empresa também têm processos a correr no Tribunal do Trabalho de Vila Real por salários em falta, e podem existir outros lesados ainda em fase de queixa ou ainda sem decisão de avançar para tribunal.
Quantos processos cíveis existem contra a Dilomi?
Identificámos oito processos cíveis distribuídos contra a Dilomi, todos entre Janeiro e Abril de 2026. A cobertura temporal dos dados de distribuição de tribunais cíveis a que cruzamos começa em Outubro de 2025, o que significa que processos anteriores a essa data não estão incluídos. A nossa cobertura não permite excluir processos anteriores a Outubro de 2025, distribuídos no período em que a Dilomi já estava em actividade (Junho de 2024 em diante). Os oito processos representam a janela visível mais recente, não necessariamente o total.
Como verificar se uma construtora é fiável em Portugal?
Cruze fontes oficiais: CITIUS (insolvências, PER, execuções), IMPIC (alvarás), Publicações do Ministério da Justiça (constituições, alterações, prestação de contas), listas das Finanças e Segurança Social (devedores) e tribunais cíveis (processos em curso). Note que estas fontes indexam apenas pelo NIPC da empresa, não há pesquisa pública por nome ou NIF do gerente, pelo que o cruzamento director→empresas anteriores tem de ser feito manualmente (motores de busca, redes sociais) ou através de uma base de dados própria. O ObraXRAY faz este cruzamento num único relatório em poucos segundos.
O que é uma "empresa fénix" e como reconhecer uma?
"Empresa fénix" é o nome dado no léxico jurídico e regulatório a uma prática em que uma empresa em incumprimento ou em vias de cessação é abandonada e o seu gerente abre uma nova empresa para continuar a actividade na mesma morada, frequentemente com pessoal e instalações iguais, deixando os credores da empresa anterior sem possibilidade de cobrança. Reconhecem-se cruzando NIFs do gerente, morada física, e estado contabilístico da empresa anterior. Mais detalhe em o nosso guia sobre empreiteiros com processos e insolvências.
Carlos Manuel Lopes Marques tem outras empresas além da Dilomi e da ML VIRTUAL?
Sim. Carlos Manuel Lopes Marques é também gerente da IMODILOMI, LDA (NIF 518753042), constituída a 22 de Maio de 2025. A IMODILOMI é a entidade proprietária do canal de televisão VilaTV, conforme o registo nº 128169 da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), no qual Carlos Marques consta como Editor e Diretor do canal. A sede de redação da VilaTV registada na ERC é Rua do Costa nº 5, em Vila Real, na mesma rua das moradas físicas da Dilomi e da ML VIRTUAL (Rua Costa, Armazém nº 4). À data deste artigo, a IMODILOMI não apresenta os mesmos sinais de risco da ML VIRTUAL ou da Dilomi.
Este artigo baseia-se em informação tornada pública pela reportagem do Grande Jornal Investigação da CMTV (Maio 2026) e em registos oficiais consultáveis no CITIUS, Portal da Justiça, Plataforma de Publicações do Ministério da Justiça e tribunais cíveis. As informações disponibilizadas são de carácter informativo e não constituem aconselhamento jurídico. Nenhum dos factos aqui referidos constitui acusação de prática criminal, que só poderia ser declarada por decisão judicial transitada em julgado.